Como se Tornar um Ráquer

Eric Steven Raymond

Revision History
Revision 1.3229 Jun 2005Revised by: esr
Novo material a respeito de não resolver problemas duas vezes. Resposta a uma pergunta frequente sobre a raqueação e a programação código-aberto. Três questões que revelam se você já é um ráquer.
Revision 1.3122 Mar 2005Revised by: esr
Adicionado um link para outro ensaio de Paul Graham, e um conselho em como conseguir um primeiro projeto. Mais atualizações no links de traduções.
Revision 1.302 Mar 2005Revised by: esr
Adicionado e atualizado muitos links para traduções.

Table of Contents
1. Por que este documento?
2. O que É um Ráquer?
3. A Atitude Ráquer
3.1. 1. O mundo está repleto de problemas fascinantes esperando por solução.
3.2. 2. Nenhuma problema deve ser resolvido duas vezes.
3.3. 3. Tédio e trabalho repetitivo são maléficos.
3.4. 4. Liberdade é algo bom.
3.5. 5. Atitude não é substituto da competência.
4. Habilidades Básicas da Raqueação
4.1. 1. Aprenda a programar.
4.2. 2. Pegue um dos Unixes código-aberto e aprenda a usá-lo e rodá-lo.
4.3. 3. Aprenda como usar a Grande Teia Mundial (WWW) e escrever HTML.
4.4. 4. Se você não possui Inglês funcional, aprenda.
5. Reputação na Cultura Ráquer
5.1. 1. Escreva programas código-aberto
5.2. 2. Ajude a tester e depurar software código-aberto
5.3. 3. Publique informação útil
5.4. 4. Ajude a manter a infra-estrutura funcionando
5.5. 5. Sirva à cultura ráquer
6. A conexão Ráquer/Nerd
7. Questões sobre o Estilo
8. Outras Fontes
9. Perguntas Mais Freqüentes
10. Notas de Tradução
10.1. Informações Gerais
10.2. Por que esta tradução?


1. Por que este documento?

Como editor do Arquivo dos Jargões (Jargon File), [1] e autor de alguns outros documentos de mesma natureza, bastante conhecidos, constantemente eu recebo pedidos, por email, de entusiastas, iniciantes em redes, perguntando (de fato) "Como eu posso me tornar um ráquer habilidoso?". Por volta de 1996 eu notei que parecia não haver nenhum outro FAQ, ou documento na Web, que tratava dessa questão vital. Então eu comecei este aqui. Muitos ráqueres o consideram definitivo, e eu creio que isso significa que ele seja. Ainda assim, eu não me declaro autoridade exclusiva neste tópico; se você não gostar do que ler aqui escreva o seu próprio documento.

Caso você esteja lendo uma cópia desse documento fora da rede a versão atual está em http://www.catb.org/~esr/faqs/hacker-howto.html [2] .

Nota: existe uma lista de Perguntas Mais Freqüentes (Frequently Asked Questions) no final deste documento. Por favor leia-as -- duas vezes -- antes de me enviar qualquer pergunta a respeito do mesmo.

Inumeras traduções estão disponíveis: Árabe, Bulgaro, Catalano, Chinês (Simplificado), Dinamarquês, Holandês, Farsi, Finlandês Alemão, Hebráico, Italiano Japonês, Norueguês, Polonês, Português (Brasileiro), Espanhol, Turco, and Sueco. Lembre-se que o hacker-howto é modificado ocasionalmente, e portanto, as traduções podem estar desatualizadas em vários níveis.

O diagrama com 'cinco pontos nos nove quadrados' que decora este documento é chamado de planador (glider). É um padrão simples com algumas propriedades surpreendentes numa simulação matemática chamada de Vida (Life) que vem fascinando ráqueres há anos. Eu acho que este é um ótimo símbolo visual para indicar o que os ráqueres são -- abstratos, um tanto misteriosos a primeira vista, mas a entrada para um mundo inteiro com uma lógica própria e intrigante. Leia mais sobre o emblema planador aqui.


2. O que É um Ráquer?

O Arquivo dos Jargões contém um monte de definições para o termo 'ráquer' [3], a maioria ligadas à habilidade técnica, ao deleite (prazer) em resolver problemas e ultrapassar limites. Entretanto se você quer saber como se tornar um ráquer somente duas delas são realmente relevantes.

Existe uma comunidade, uma cultura compartilhada, de programadores mestres e gurus de redes cuja a história remonta décadas atrás, aos primeiros minicomputadores de tempo-compartilhado e aos primeiros experimentos com a redeARPA. Os membros desta cultura originaram o termo 'ráquer'. Os ráqueres construíram a Internet. Os ráqueres fazem do sistema operacional Unix o que ele é hoje. Os ráqueres mantém a Usenet. Os ráqueres fazem a www (Grande Teia Mundial) funcionar. Se você faz parte dessa cultura, se você contribuiu nela, e outras pessoas nela o conhecem e o chamam de ráquer, você é um ráquer.

A forma de pensar e interpretar as coisas de um ráquer não está limitada somente a esta cultura dos ráqueres de software. Existem pessoas que aplicam a atitude ráquer à outras coisas, como eletrônica ou música -- na verdade, você pode achá-la nos mais altos níveis intelectuais de qualquer ciência ou arte. Os ráqueres de software reconhecem esse espírito aparentado em outros lugares e podem chamá-los de 'ráquer' também -- e alguns dizem que a natureza ráquer é de fato independente do meio particular no qual o ráquer trabalha. Mas no resto deste documento iremos nos concentrar nas habilidades e atitudes dos ráqueres de software, e nas tradições da cultura compartilhada que originou o termo 'ráquer'.

Existe um outro grupo de pessoas que, aos berros, chamam-se de ráqueres mas não são. Essas são pessoas (na maioria adolescentes masculinos) que se divertem invadindo computadores e fraudando o sistema telefônico. Ráqueres de verdade chamam estes de 'craqueres' (crackers), e não querem nada com os mesmos. Os ráqueres reais acham que craqueres são preguiçosos, irresponsáveis, e não muito brilhantes, e pensar que ser capaz de invadir um sistema de segurança não o faz um ráquer assim como um meliante não é um engenheiro automobilístico por conseguir fazer uma ligação direta em um carro. Infelizmente muitos jornalistas e escritores são feitos de idiotas ao usar a palavra 'ráquer' para descrever craqueres; isso irrita um ráquer real deveras.

A diferença básica é: ráqueres constroem coisas, craqueres as destroem.

Se você quer ser um ráquer, continue lendo. Se você quer ser um craquer, vá ler o alt.2600 e prepare-se para fazer cinco ou dez anos na prisão depois de descobrir que você não é tão esperto quanto pensava que era. E isso é tudo que eu vou falar sobre craqueres.


3. A Atitude Ráquer

Ráqueres resolvem problemas e criam coisas, e eles acreditam na liberdade e na ajuda mútua voluntária. Para ser aceito como um ráquer você deve agir como se você mesmo tivesse esse tipo de atitude. E para agir como se você tivesse esse tipo de atitude você deve de fato acreditar nela.

Mas se você pensa em cultivar as atitudes de um ráquer só para ser aceito na cultura você irá perder a questão. Tornar-se o tipo de pessoa que acredita nessas coisas é importante para você -- para ajudá-lo no aprendizado e mantê-lo motivado. Como na maioria das artes criativas, o melhor modo de se tornar um mestre é imitar o modo de interpretar as coisas e pensar de um mestre -- não só intelectualmente mas emocionalmente também.

Ou como o seguinte poema Zen moderno dita:


    Para trilhar o caminho:
    olhe para o mestre,
    siga o mestre,
    ande com o mestre,
    olhe através do mestre,
    torne-se o mestre.

[4]

Portanto, se você quiser se tornar um ráquer repita as seguintes máximas até que você acredite nelas:


3.1. 1. O mundo está repleto de problemas fascinantes esperando por solução.

Ser um ráquer é muito divertido, mas é o tipo de diversão que requer muito esforço. O esforço requer motivação. Atletas de sucesso conseguem motivação apartir de um tipo de prazer físico em trabalhar com seus corpos, em se esforçarem para ultrapassar seus próprios limites. Da mesma forma, para ser um ráquer, você deve ter um ardente desejo em resolver problemas, aperfeiçoar suas técnicas e exercitar sua inteligência.

Se você não é o tipo de pessoa que se sente dessa forma naturalmente será necessário você se tornar uma para chegar a ser um ráquer. De outro modo você irá descobrir que sua energia para a raqueação[5] irá se esgotar por distrações como sexo, dinheiro e aprovação social.

(Você também tem que desenvolver um tipo de fé na sua própria capacidade de aprendizado -- a crença que apesar de você não saber todo o necessário para resolver um problema se você se concentrar em um pequeno pedaço dele, e aprender a partir desse ponto, você irá aprender o suficiente para resolver a próxima parte -- e assim por diante, até terminar.)


3.2. 2. Nenhuma problema deve ser resolvido duas vezes.

As mentes criativas são um recurso valioso e limitado. Elas não devem ser desperdiçadas re-inventando a roda quando existem tantos outros novos problemas fascinantes esperando por aí a fora.

Para agir como um ráquer você deve acreditar que o tempo de outros ráqueres é precioso -- tanto que é quase um dever moral você compartilhar informação, resolver problemas e depois expor as soluções, só para que outros ráqueres possam resolver novos problemas em vez de ficar perpetuamente se preocupando com os antigos.

(Você não deve acreditar que é obrigado a dar e expor todo a sua produção criativa, apesar de que os ráqueres que o fazem são os mais respeitados por outros ráqueres. É algo coexistente entre os valores ráquer vender o suficiente do seu trabalho para conseguir comida, aluguel e computadores. Tudo bem se você utilizar suas habilidades de ráquer para criar uma família, ou até ficar rico, desde que você não esqueça a lealdade a sua arte e aos seus amigos ráqueres ao fazê-lo.)


3.3. 3. Tédio e trabalho repetitivo são maléficos.

Os ráqueres (e pessoas criativas em geral) nunca devem se entediar ou fatigar-se com estúpido trabalho repetitivo, porque quando isso acontece significa que eles não estão fazendo o que somente eles podem fazer -- resolver novos (e interessantes) problemas. Este desperdício machuca a todos. Então tédio e trabalho penoso não são somente desagradáveis mas na verdade maléficos.

Para agir como um ráquer você deve acreditar nisso o suficiente para que você tenha o desejo de automatizar as partes chatas o máximo possível, não só para você, mas para outros também (especialmente outros ráqueres).

(Existe uma exceção aparente nisso. Os ráqueres as vezes irão fazer coisas que podem parecer repetitivas ou chatas para um observador, como um exercício de limpeza mental, ou como forma de adquirir uma habilidade ou passar por uma experiência em particular que seria impossível adquirir ou fazer de outro modo. Mas isso é uma opção -- nenhum ser pensante deve ser forçado a uma situação que o deixe entediado.)


3.4. 4. Liberdade é algo bom.

Ráqueres são naturalmente anti-autoritários. Qualquer um que possa lhe dar ordens poderá impedi-lo de solucionar qualquer problema o qual você esteja fascinado -- e dado o modo que as mentes autoritárias trabalham, elas geralmente irão encontrar uma razão terrivelmente estúpida para isso. Portanto a atitude autoritária deve ser combatida aonde quer que você a encontre, para que ela não oprima você e outros ráqueres.

(Isto não é o mesmo que combater toda autoridade. Crianças devem ser educadas e criminosos contidos. Um ráquer pode concordar em aceitar alguns tipos de autoridade para conseguir alguma coisa que ele deseja mais do que o tempo que ele gasta seguindo ordens. Mas esta é uma barganha limitada e consciente; o tipo de rendição pessoal que os autoritários desejam não está em oferta).

Autoritários prosperam na censura e no segredo. E eles desconfiam da cooperação voluntária e troca de informações -- eles apreciam somente a 'cooperação' que eles controlam. Dessa forma, para agir como um ráquer, você deve desenvolver uma hostilidade instintiva à censura, ao segredo, e ao uso da força ou decepção para compelir adultos responsáveis. Você deve estar de acordo a agir nessa crença.


3.5. 5. Atitude não é substituto da competência.

Para ser um ráquer você deve desenvolver algumas dessas atitudes. Mas somente copiar uma atitude não irá torná-lo um ráquer, assim como não irá torná-lo um atleta campeão, ou uma estrela do rock. Tornar-se um ráquer vai tomar inteligência, prática, dedicação e trabalho árduo.

Portanto você precisa aprender a distinguir atitude e respeitar todo tipo de competência. Os ráqueres não irão deixar impostores desperdiçar o seu tempo, mas irão apreciar competência -- especialmente competência na raqueação; mas competência em qualquer outra coisa é valorizada. Competência em habilidades exigentes que poucos conseguem dominar é especialmente melhor, e competência em habilidades exigentes que envolvem sutileza mental, perícia, e concentração é melhor ainda.

Se você respeita competência você irá apreciar desenvolvê-la em você mesmo -- o trabalho árduo e dedicação irão se tornar uma espécie de jogo intenso e divertido ao invés de trabalho penoso. Essa atitude é vital para se tornar um ráquer.


4. Habilidades Básicas da Raqueação

A atitude ráquer é vital mas as habilidades são ainda mais. Atitude não substitui competência e existe um certo conjunto de habilidades as quais você deve ter antes que qualquer ráquer venha a sonhar em chamá-lo de um.

Este conjunto modifica-se lentamente de tempos em tempos assim como a tecnologia cria novas técnicas e tornam as velhas obsoletas. Como exemplo, o conjunto costumava incluir programação em linguagem de máquina, e até recentemente não incluia HTML. Mas agora claramente inclui as seguintes habilidades:


4.1. 1. Aprenda a programar.

Esta, claro, é a habilidade fundamental da raqueação. Se você não sabe nenhuma linguagem de programação eu recomendo começar com Python. Ela é projetada de forma clara, bem documentada, e relativamente amigável com iniciantes. Apesar de ser uma ótima primeira linguagem ela não é somente um brinquedo; é muito poderosa, flexível e bem adaptada para grandes projetos. Eu escrevi uma avaliação sobre Python mais detalhada. Bons tutoriais estão disponíveis no sítio do Python .

Java é também uma boa linguagem para aprender a programar. Ela é mais difícil do que Python, mas produz códigos mais rapidamente. Eu acho que ela é ótima como segunda linguagem. Infelizmente a referência de implementação da SUN ainda é proprietária. Isso não é a grande controvérsia da própria linguagem Java, já que interpretes de alta qualidade, todos código-aberto, estão prontamente disponíveis; o grande problema são as bibliotecas de classes que chegam junto com a linguagem. As bibliotecas de classes código-aberto estão por detrás da SUN. Portanto, se você escolher aprender Java faça-o com alguma das implementações código-aberto ao invés de ficar preso ao código proprietário da SUN.

Mas fique avisado que você não vai alcançar o nível da habilidade de um ráquer, ou nem mesmo de um mero programador se você somente aprender uma ou duas linguagens -- você precisa aprender como pensar sobre um problema de programação em geral, independente de qualquer linguagem. Para se tornar um ráquer de fato você precisa chegar ao ponto de ser capaz de aprender uma nova linguagem em alguns dias relacionando o que está no manual com o que você já sabe. Isto significa aprender diversas linguagens peculiares.

Se você levar a sério a programação você vai precisar aprender C, a linguagem central do Unix. C++ está muito ligada a C; se você conhece uma conhecer a outra não vai ser algo trabalhoso. Todavia nenhuma das duas é uma boa opção para começar a aprender. E, na realidade, quanto mais você evitar programar em C mais produtivo você será.

C é muito eficiente e muito econômico com os recursos da maquina. Infelizmente C consegue essa eficiência e economia apartir do gerenciamento em baixo nível dos seus recursos (como memória) que você irá ter que fazer a mão. Todo esse código baixo nível é complexo e suscetível a erro e irá sugar um montante imenso do seu tempo com depuração. Com as máquinas atuais, tão poderosas como elas são, essa é uma troca ruim %mdash; é mais inteligente utilizar uma linguagem que utilize o tempo de máquina de forma ineficiente, mas que valoriza o seu tempo muito mais. Deste modo, Python.

Outras linguagens de importância particular para os ráqueres são Perl e LISP. É válido aprender Perl por razões práticas; ela é muito usada para páginas da web ativas e sistemas de administração; portanto mesmo que você nunca escreva nada em Perl você deve pelo menos ler Perl. Muitas pessoas utilizam Perl do modo como eu sugeri que você utilizasse Python, para evitar programação em C onde não é necessário a eficiência do manejo de máquina (baixo-nível) de C. Você precisa entender o código deles.

É válido aprender LISP por diferentes razões -- a profunda e esclarecedora experiência que você vai ganhar quando finalmente você entender LISP. Esta experiência vai torná-lo um melhor programador para o resto de sua vida, mesmo que você não utilize muito LISP por si só. (Você pode ter alguma fácil experiência introdutória com LISP modificando e editando modos para o editor de texto Emacs.)

O melhor, na realidade, é aprender as cinco (Python, Java, C/C++, Perl, e LISP). Excluindo o fato de serem as mais importantes linguagens da raqueação elas representam diferentes aproximações à programação, e cada uma irá educá-lo de várias formas valorosas.

Eu não posso dar instruções completas de como aprender a programar aqui -- é uma habilidade complexa. Mas eu posso dizer que livros e cursos não irão fazê-lo (muitos, talvez quase todos, dos melhores ráqueres são autodidatas). Você pode aprender os dispositivos de uma linguagem -- pedaços de conhecimento -- dos livros, mas a forma de pensar e interpretar as coisas que irá tornar todo esse conhecimento em uma habilidade viva só pode ser adquirido pela prática e aprendizagem. O que você irá precisar fazer é (a) ler código e (b) escrever código.

Aprender a programar é como aprender a escrever bem uma linguagem natural. O melhor jeito é ler algum material escrito pelos mestres da arte e escrever algumas coisas você mesmo; ler um pouco mais, escrever um pouquinho mais, ler mais um pouco, escrever mais um tanto ... e repetir até que seus escritos estejam começando a desenvolver a força e economia que você encontra em seus modelos.

Achar bom código para leitura costumava ser difícil e complicado, por que havia poucos programas grandes com o código fonte para os recém ráqueres brincarem e fuçarem. Isto mudou de forma dramática; programas código-livre, ferramentas para programação, e sistemas operacionais (todos feitos por ráqueres) são agora distribuídos em larga escala. O que me leva diretamente para o próximo tópico...


4.2. 2. Pegue um dos Unixes código-aberto e aprenda a usá-lo e rodá-lo.

Estou assumindo que você possui um computador pessoal ou pode ter acesso a algum. (Pare um pouco para apreciar o quanto isso significa. A cultura ráquer originalmente se desenvolveu quando computadores eram tão caros que indivíduos não podiam tê-los.) O passo mais importante e decisivo que um novato[6] pode tomar no caminho para adquirir habilidades de um ráquer é conseguir uma copia do Linux, ou um dos Unixes-BSD, instalá-la em uma máquina pessoal, e rodá-la.

Sim, existem outros sistemas operacionais no mundo fora o Unix. Mas eles são distribuídos em binário -- você não pode ler o código e você não pode modificá-lo. Tentar aprender a raquear numa máquina com o Microsoft Windows ou qualquer outro sistema fechado é o mesmo que tentar aprender a dançar com o corpo engessado.

Com o OS/X é possível, mas somente parte do sistema é código-livre -- você provavelmente irá se deparar com um monte de muralhas, e você deve ter cuidado para não desenvolver o mal hábito de depender do código proprietário da Apple. Se você se concentrar no Unix por debaixo da capa[7] você pode aprender algumas coisas uteis.

O Unix é o sistema operacional da Internet. Enquanto você pode aprender a utilizar a Internet sem conhecê-lo, você não pode ser um ráquer na Internete sem entendê-lo. Por essa razão a cultura ráquer é um tanto quanto centrada no Unix. (Isso nem sempre foi verdade e alguns antigos ráqueres da velha-escola ainda não estão felizes com isso; mas a simbiose entre o Unix e a Internet se tornou forte o suficiente que nem mesmo os músculos da Microsoft são seriamente capazes de detê-lo.)

Então consiga um Unix %mdash; eu mesmo gosto do Linux, mas existem outras opções (e sim, você pode rodar ambos Linux e Microsoft Windows na mesma máquina). Aprenda-o. Rode-o. Fuce com ele. Fale pela a Internet com ele. Leia o código. Modifique o código. Você vai conseguir os melhores utilitários para programação (incluindo C, LISP, Python, e Perl) do que qualquer sistema operacional da Microsoft nem mesmo sonha em ter. Você vai se divertir e você vai sugar mais conhecimento do que você se dá conta que está aprendendo, até você olhar para trás como um mestre ráquer.

Para mais no apredizado do Unix veja O Loginataka . Você pode também querer dar uma olhada no A Arte Da Programação Unix .

Para por as mãos no Linux veja o site Linux Online!; você pode fazer o download de lá ou (ainda melhor) encontrar algum grupo de usuários do Linux para ajudá-lo com a instalação. Do ponto de vista de um iniciante todas as distribuições do Linux são muito equivalentes.

Você pode achar ajuda e fontes do Unix BSD no www.bsd.org .

E escrevi um manual para iniciantes no Fundamentos do Unix e da Internet .

(Nota: Eu realmente não recomendo a instalação tanto do Linux quanto do BSD como um projeto solo se você for um novato[6]. Para o Linux, ache algum grupo de usuários do Linux e peça por ajuda.


4.3. 3. Aprenda como usar a Grande Teia Mundial (WWW) e escrever HTML.

A maioria das coisas que a cultura ráquer construiu faz o seu trabalho as escondidas, ajudando a rodar fábricas, escritórios e universidades sem nenhum impacto óbvio na vida dos não-ráqueres. A Web é a grande exceção, o grandioso e ilustre brinquedo ráquer que até políticos admitem estar mudando o mundo. Por essa razão (e muitas outras boas razões também) você precisa aprender a como trabalhar a Web.

Isto não significa somente aprender como mexer num navegador (qualquer um pode fazer isso), mas aprender como escrever HTML, a linguagem de marcação[8] da Web. Se você não sabe como programar, escrever HTML irá ensiná-lo alguns hábitos mentais que irão ajudá-lo a aprender. Então construa uma página. Tente aderir ao XHTML, que é uma linguagem mais clara que o clássico HTML. (Existem bons tutoriais para iniciantes na Web; aqui está um.)

Mas somente ter uma página pessoal não é algo realmente bom o suficiente para fazê-lo um ráquer. A Web está cheia de páginas. A maioria delas são sem propósito, lixos sem conteúdo -- lixos enfeitados, se você se importa, mas lixos da mesma forma (para mais detalhes veja The HTML Hell Page).

Para valer a pena sua página deve ter conteúdo -- ela deve ser interessante e/ou útil para outros ráqueres. E isso nos leva diretamente para o próximo tópico...


4.4. 4. Se você não possui Inglês funcional, aprenda.

Como um americano, e falante nativo da língua inglesa, eu anteriormente vinha relutando sugerir isso para que não entendessem como uma forma de imperialismo cultural. Mas diversos falantes de outras línguas me encorajaram a apontar o inglês como a língua de trabalho da cultura ráquer e da Internet. E você vai precisar aprendê-la para agir na comunidade ráquer.

Isto é muito verdade. Por volta aos 1991 eu aprendi que muitos ráqueres que tinham o inglês como segunda língua a utilizavam em discussões técnicas mesmo quando estes possuíam a mesma língua nativa; me foi reportado na época que o Inglês tinha um vocabulário técnico mais rico que qualquer outra língua, e portanto, era apenas uma melhor ferramenta para o trabalho. Por razões similares traduções de materiais técnicos escritos em inglês são comumente insatisfatórios (quando estas são terminadas por completo).

Linus Torvalds, um finlandês, comenta seu código em Inglês (e aparentemente nunca o ocorreu fazer de outro modo). Sua fluência em inglês tem sido um fator importante na sua habilidade de recrutar um comunidade mundial de desenvolvedores para o Linux. É um exemplo que vale a pena seguir.

Ter o inglês como língua nativa não garante a existência das habilidades suficientes para ser um ráquer. Se seus escritos são semi-literários, não gramaticais, e ortograficamente errados muitos ráqueres (incluíndo-me) irão ignorá-lo. Apesar de a escrita burra não necessariamente implicar uma mente burra, nós geralmente achamos a correlação bem verdadeira -- e não vemos utilidade para mentes burras. Se você não sabe como escrever corretamente aprenda.


5. Reputação na Cultura Ráquer

Como na maioria das culturas sem uma economia monetária, o raquerdom[9] funciona baseado na reputação. Você está tentando resolver problemas interessantes mas quão interessantes eles são e o quanto suas soluções são realmente boas é algo que somente seus colegas técnicos ou superiores são normalmente capazes de julgar.

Conseqüentemente quando você joga o jogo ráquer você aprende a ganhar pontos, antes de mais nada, apartir do que outros ráqueres acham de suas habilidades (por isso você nunca vai ser um ráquer até que consistentemente outro ráquer o chame de um). Esse fato é obscurecido pela imagem que a raqueação possui de ser um trabalho solitário; também por um tabu cultural ráquer (agora decaindo gradualmente, mas ainda potente) em admitir que o ego, ou reconhecimento, está envolvido na motivação de alguém no final das contas.

Especificamente, o raquerdom[9] é algo que os antropologistas chamam de cultura de doação. Você ganha posicionamento e reputação nela não dominando outras pessoas, nem sendo bonito, nem tendo coisas que as pessoas querem, mas especialmente dando coisas aos outros. Especificamente dando aos outros seu tempo, sua criatividade e os resultados de suas habilidades.

Existem basicamente cinco coisas que você pode fazer para ser respeitado por ráqueres:


5.1. 1. Escreva programas código-aberto

A primeira (e a mais central e tradicional delas) é escrever programas que outros ráqueres achem divertido, ou útil, e dar o código fonte para que toda a cultura ráquer possa usar.

(Nos costumávamos chamar estes trabalhos de 'software livre', mas este termo confunde muitas pessoas que não estão certas exatamente do significado da palavra 'livre'. A maioria de nós agora prefere o termo programa 'código-aberto').

Os mais reverenciados ídolos do raquerdom são pessoas que escreveram programas grandes, competentes, que solucionam uma necessidade comum e os distribuíram para que todos pudessem usar.

Mas existe um ponto histórico interessante aqui. Enquanto os ráqueres sempre olharam para os desenvolvedores de código-aberto como o centro de nossa comunidade antes dos meados da década de 90 a maioria dos ráqueres trabalhavam a maior parte do tempo em código fechado (proprietário). Isso ainda era verdade quando eu escrevi a primeira versão desse documento em 1996; teve que ocorrer a explosão do código-livre após 1997 para as coisas mudarem. Hoje a "comunidade ráquer" e os "desenvolvedores código-livre" são duas descrições para essencialmente a mesma cultura e população -- mas vale lembrar que nem sempre foi dessa modo.


5.2. 2. Ajude a tester e depurar software código-aberto

Os ráqueres também valorizam quem suporta e depura software código-aberto. Nesse mundo imperfeito nós iremos inevitavelmente gastar a maioria do nosso tempo de desenvolvimento na fase de depuração. É por isso que um autor de código-aberto que pensa irá dizer que bons avaliadores-beta (aqueles que sabem descrever de forma clara os sintomas, localizar problemas, podem tolerar erros em uma versão de ultima hora e estão loucos para aplicar pequenas rotinas de diagnóstico) tem seu valor avaliado em rubis. Até um só desses pode fazer a diferença entre as fases de depuração que são prolongadas, um pesadelo exaustivo, ou as que são apenas uma mera e saudável chateação.

Se você é um novato[6], tente achar algum programa em desenvolvimento no qual você esteja interessado e seja um bom avaliador-beta. Existe uma progressão natural em ajudar programas em teste, ajudar a depurar programas em teste para ajudar a modificá-los. Você vai aprender muito dessa maneira e irá gerar um bom karma com pessoas que irão ajudá-lo mais tarde.


5.3. 3. Publique informação útil

Outra coisa boa é coletar e filtrar informação útil e interessante para páginas na web, ou documentos como lista de Perguntas Mais Freqüêntes (FAQ), e deixá-los disponíveis.

Mantenedores dos maiores FAQs técnicos conseguem tanto respeito quanto um autor de código-aberto.


5.4. 4. Ajude a manter a infra-estrutura funcionando

A cultura ráquer (e o desenvolvimento de engenharia da Internet) é mantida por voluntários. Existe uma variedade de trabalhos sem glamour, mas necessário, e que deve ser feito para manter tudo em ordem -- administrar listas de email, moderar grupos de notícias, manter um grande site de arquivos de programas, desenvolver RFCs e outros padrões técnicos.

Pessoas que fazem esse tipo de coisa ganham muito respeito, porque todos sabem que esses trabalhos são um imenso consumo de tempo, e nada divertido quanto brincar com códigos. Fazer esse tipo de coisa demonstra dedicação.


5.5. 5. Sirva à cultura ráquer

Finalmente, você pode servir e propagar a cultura por si só (por exemplo escrevendo um guia acurado de como se tornar um ráquer :-)). Isto é algo que você só terá posicionamento para fazer depois de ficar algum tempo na área, e se tornar bem conhecido por alguma das quatro primeiras coisas acima.

A cultura ráquer não possui líderes exatamente, mas possui heróis, 'chefes tribais', historiadores e porta-vozes. Quando você já estiver pelas trincheiras por tempo suficiente você pode se tornar um desses. Tome cuidado: ráqueres desconfiam de egos arrogantes em seus 'anciões tribais'. Portanto buscar visivelmente por este tipo de fama é perigoso. Em vez de buscá-la, você deve se posicionar e esperar, de certo modo, para que então ela caia sobre seu colo, e aí então seja modesto e gracioso com a sua posição.


6. A conexão Ráquer/Nerd

Ao contrário do mito popular você não precisa ser um nerd para se tornar um ráquer. Contudo isso ajuda, e muitos ráqueres são de fato nerds. Ser um pária social ajuda você a se manter concentrado no que realmente importa, como pensar e raquear.

Por esta razão muitos ráqueres adotaram o rótulo 'nerd' e até utilizam o forte termo 'geek' como uma insígnia de orgulho -- é uma forma de declarar independência das expectativas normais da sociedade.

Se você consegue administrar uma boa concentração para o raquear, ser bom nisso e ainda ter uma vida, está tudo bem. Isto é muito mais fácil do que era por volta dos 1970; a cultura social é muito mais amigável a tecno-nerds hoje em dia. Existem ainda um grande número de pessoas que percebem que ráqueres são geralmente amantes de alta qualidade e ótimos maridos/esposas.

Se você foi atraído para a raqueação pelo fato de você não ter uma vida, está tudo bem também -- pelo menos você não irá ter problemas em se concentrar. Talvez você consiga uma vida mais tarde.


7. Questões sobre o Estilo

Novamente, para ser um ráquer, você tem que pensar e interpretar coisas como um ráquer. Há algumas coisas que você pode fazer quando você não está no computador que podem ajudar. Elas não são substituições para a raqueação (nada é) mas muitos ráqueres as fazem, e sentem que elas conectam de uma maneira básica com a essência da raqueação.

Quanto mais dessas coisas você já pratica mais você naturalmente possui o biotipo ráquer. Por que estas coisas em particular não é totalmente claro, mas elas estão conectadas com o misto das habilidades dos lados esquerdo e direito do cérebro que parece ser importante; os ráqueres precisam ser passíveis tanto da razão lógica quanto da possibilidade repentina de pisar fora da lógica aparente de um problema.

Trabalhe tão intensamente quanto você brinca, e brinque tanto quanto você trabalha. Para verdadeiros ráqueres os limites entre "jogar", "trabalhar", "ciência" e "arte" tendem a desaparecer, ou imergir para um nível elevado de criatividade. Também não fique contente com uma pequena lista de habilidades. Apesar de ráqueres serem identificados como programadores eles são facilmente competentes em várias outras habilidades -- administração de sistemas, projetista da web e técnico de hardware são comuns. Um ráquer que é um administrador de sistemas, por outro lado, pode ser bem habilidoso em programação em script e projetismo para web. Ráqueres não fazem as coisas pela metade; se eles investem em uma habilidade eles tendem a ficar muito bons nela.

Finalmente algumas coisas para não fazer.

A única reputação que você irá conseguir fazendo alguma dessas coisas é a de um twit[11]. Ráqueres tem boa memória -- pode levar anos até que você se reabilite o suficiente para ser aceito.

O problema com pseudônimos e nicks merecem uma amplificação. Ocultar sua identidade atrás de um pseudônimo é uma atitude infantil e boba, característica de craqueres, warez d00dz, e outras formas de vida inferiores. Ráqueres não fazem esse tipo de coisa: eles são orgulhosos do que são e querem tudo isso ligado aos seus nome reais. Então se você tem um pseudônimo, largue-o. Na cultura ráquer ele irá somente marcá-lo como um perdedor.


8. Outras Fontes

Paul Graham escreveu um ensaio chamado Grandes Ráqueres, e outro chamado Graduação nos quais ele fala com muita sabedoria.

Peter Seebach mantém um excelente ráquer FAQ para gerentes que não sabem como lidar com ráqueres.

Existe um documento chamado Como Se Tornar Um Programador que é um excelente complemento a este aqui. Ele possui conselhos valorosos não somente a respeito de codificação ou habilidades, mas sobre como agir em uma equipe de programadores.

Eu também escrevi Uma Breve História do Raquerdom (A Brief History Of Hackerdom).

Eu escrevi um documento, A Cadetral e o Bazar (The Cathedral and the Bazaar), que explica muito sobre como o Linux e a cultura código-aberto funciona. Eu enderecei esse tópico de forma mais direta na sua seqüência Homesteading the Noosphere.

Rick Moen escreveu um documento excelente como manter um Grupo de Usuários Linux.

Rick Moen e eu colaboramos em um outro documento Como Fazer Questões Inteligentes. Irá ajudá-lo a encontrar assistência de tal forma que você provavelmente irá consegui-la.

Se você precisa de ajuda para entender como os computadores pessoais, o Unix e a Internet funcionam veja Os Fundamentos da Internet e do Unix.

Quando você lançar programas ou escrever correções tente seguir o guia Prática de Lançamento de Software.

Se você gostou do poema Zen talvez você goste doRootless Root: The Unix Koans of Master Foo.


9. Perguntas Mais Freqüentes

Q: Como eu sei se eu já sou um ráquer?
Q: Você irá me ensinar a raquear?
Q: Como eu começo então?
Q: Quando você deve começar? É muito tarde para eu poder aprender?
Q: Quanto tempo vai levar para eu aprender a raquear?
Q: Visual Basic ou C# são boas linguagens para começar?
Q: Você me ajudaria a craquear um sistema, ou me ensinar a craquear?
Q: Como eu pego a senha da conta de alguém?
Q: Como eu entro/leio/invado/monitoro a conta de email de alguém?
Q: Como eu posso roubar privilégios de um op em algum canal no IRC?
Q: Eu fui craqueado. Você poderia me ajudar a evitar ataques futuros?
Q: Eu estou tendo problema com o meu software Windows. Você vai me ajudar?
Q: Onde eu posso encontrar ráqueres de verdade para conversar?
Q: Você pode me recomendar livros úteis sobre assuntos relacionados a raqueação?
Q: Eu preciso ser bom em matemática para me tornar um ráquer?
Q: Qual a linguagem que eu devo aprender primeiro?
Q: Que tipo de hardware eu preciso?
Q: Eu quero contribuir. Você me ajuda a encontrar um problema para trabalhar?
Q: Eu preciso odiar e xingar a Microsoft?
Q: Mas software código-livre não vai deixar programadores sem meios de se sustentar?
Q: Como eu posso começar? Onde eu consigo um Unix livre?

Q: Como eu sei se eu já sou um ráquer?

A: Pergunte-se as 3 questões seguintes:

    Se você respondeu sim para as três questões acima você já é um ráquer. Somente duas não é o suficiente.

    O primeiro teste é sobre habilidades. Você provavelmente passa se tiver as habilidade mínimas descritas antes nesse mesmo documento. Você nem tem dificuldades se grande parte do seu código foi aceito em algum projeto código-aberto.

    O segundo teste é sobre atitude. Se os cinco princípios da forma de pensar e agir de um ráquer pareceram óbvios para você, mais uma descrição daquilo que você já vive do que qualquer coisa nova, você já está na metade do caminho. Esta é a parte interna; a outra parte, a externa, é o nível onde você se indentifica com os grandes e longos projetos da cutura ráquer.

    Aqui temos uma lista incompleta mas sugestiva de alguns desses projetos: Você se importa se o Linux melhores e se espalhe? Você é apaixonado por liberdade de software? Hostil a monopolios? Você acredita que computadores podem ser instrumentos para o fortalecimento que irá tornar o mundo mais rico e mais humanitário?

    Mas uma nota precativa aqui. A comunidade ráquer possui algumas politicas específicas e primariamente defensivas -- duas delas é a defesa do direito à liberdade de expressão e a luta contra o poder da "propriedade intelectual" que tornaria o código-livre ilegal. Alguns desses projetos de longa data são organizações de liberdade civil, como a Eletronic Fronties Foundation e a atitude externa citada cabe muito bem no suporte a essas organizações. Mas além disso a maioria dos ráqueres olham a tentativa de sistematizar a atitude ráquer em um programa político explícido com suspeita; nós aprendemos, de uma forma difícil, que essas tentativas são motivos de distração e divisão. Se alguém tentar recrutá-lo para marchar em nome da atitude ráquer ele perdeu a questão. A melhor resposta provavelmente seria "Cale a boca e mostre código para eles".

    O terceiro teste possui um elemento recursivo a respeito. Eu observei na seção chamada "O que é um Ráquer?" que ser um ráquer é em parte pertencer a uma subcultura particular ou rede social com uma história compartilhada, tanto dentro como fora. No passado distante os ráqueres eram um grupo muito menos coesivo do que eles são hoje. Mas a importancia do aspecto da rede social aumentou nos ultimos trinta anos assim que a Internet fez conexões com o núcleo da subcultura ráquer, agora mais fácil de manter e desenvolver. Algo fácil que aponta essa mudança é que nesse século nos temos as nossas próprias camisas.

    Sociologista que estudam culturas de rede como a cultura ráquer, sob a rubrica geral de "colegas invisíveis" anotaram que uma característica comum é a presença de guardiões -- membros centrais com a autoridade social para nomear novos membros na rede. Por ser uma cultura do "colega invisivel", o raquerdom é solta e informal, e assim também a lista de guardiões. Mas uma coisa que todos os ráqueres entendem é que nem todo ráquer é um guardião. Guardiões devem ter um certo grau de seriedade e sucesso antes de receber o título. O quanto é difícil classificar, mas todo ráquer sabe quando se depara com um.

    Q: Você irá me ensinar a raquear?

    A: Desde a primeira vez que eu escrevi esta página eu tenho recebido muitos pedidos por semana (e freqüentemente por dia) de pessoas pedindo "me ensine tudo sobre como raquear". Infelizmente eu não tenho tempo nem energia para fazer isso; meus próprios projetos ráquer, e minhas viagens como advogado do código-livre toma 110% do meu tempo.

    Mesmo se eu pudesse, raquear é uma atitude e um habilidade que basicamente você terá que ensinar à você mesmo. Você vai notar que enquanto ráqueres reais querem ajudá-lo eles não irão respeitá-lo se você implorar para receber tudo o que eles sabem de bandeja.

    Aprenda algumas coisas. Mostre que você é capaz de aprender sozinho. Depois vá até um ráquer com questões específicas.

    Se você vai mandar um email perguntando um conselho, aqui vão duas coisas que você deve saber logo de cara. Primeiro, nós descobrimos que pessoas preguiçosas ou descuidadas no seu modo de escrever são geralmente muito preguiçosas e descuidadas no seu modo de pensar para se tornarem bons ráqueres -- então tome cuidado com a sintaxe, e utilize boa gramática e pontuação, ou então você será provavelmente ignorado. Segundo, não implore pedindo para responder para um ISP diferente da conta que você enviou seu email; nós achamos que pessoas que fazem esse tipo de coisa geralmente são ladrões utilizando contas roubadas, e não temos interesse em recompensar ou assistir ladrões.

    Q: Como eu começo então?

    A: A melhor forma de começar então provavelmente seria ir para uma reunião de um LUG (Linux User Group - Grupo de Usuários do Linux). Você pode encontrar esse tipo de grupo no Página de informações gerais sobre Linux do LDP (LDP General Linux Information Page); provavelmente existe um perto de você, possivelmente associado a uma faculdade ou universidade. Se você pedir, membros de um LUG provavelmente irão lhe dar uma copia do Linux, e certamente irão ajudá-lo a instalar e começar.

    Q: Quando você deve começar? É muito tarde para eu poder aprender?

    A: Qualquer idade na qual você esteja motivado é uma boa idade para começar. A maioria das pessoas começam a ficar interessadas entre os 15 e 20 anos, mas eu conheço exceções em ambas as direções.

    Q: Quanto tempo vai levar para eu aprender a raquear?

    A: Isso vai depender de quão talentoso você é e de quanto você vai se dedicar na tarefa. A maioria das pessoas podem conseguir adquirir habilidades respeitáveis de dezoito meses à dois anos, se elas se concentrarem. Mas não se engane em achar que termina por aí; se você for um ráquer verdadeiro você irá gastar o resto de sua vida aprendendo a aperfeiçoar sua arte.

    Q: Visual Basic ou C# são boas linguagens para começar?

    A: Se você está fazendo essa pergunta está quase absolutamente claro que você está pensando em raquear no Microsoft Windows. Por si só esta é uma má idéia. Quando eu comparei tentar raquear no Windows com tentar dançar com o corpo engessado eu não estava brincando. Não vá para lá. É tudo muito feio, e nunca irá deixar de ser.

    Existem problemas específicos com Visual Basic e C#; basicamente elas não são portáveis. Embora existam protótipos de implementações em código-livre dessas linguagens, os padrões ECMA (European Computer Manufacturers Association - Associação Européia de Manufatores de Computadores) aplicavéis não cobrem mais do que uma pequena parte de suas interfaces de programação. No Windows a maioria dos suportes a bibliotecas são propriedades de um único fornecedor (Microsoft); se você não for extremamente cauteloso quanto quais ferramentas utilizar -- mais cuidadoso do que qualquer novato é capaz de ser -- você irá limitar-se somente as plataformas que a Microsoft desejar suportar. Se você começar no Unix, muitas outras melhores linguagens, com bibliotecas melhores, estão disponíveis

    Visual Basic é especialmente terrível. Como os outros BASICS ela é extremamente mal projetada e irá lhe ensinar péssimos hábitos de programação. Não, não me peça para explicá-los em detalhes. Tal explicação encheria um livro. Aprenda um linguagem bem projetada no lugar disso.

    Um desses maus hábitos é tornar-se dependente de bibliotecas, ferramentas e ambientes de desenvolvimento de um único fornecedor. Em geral qualquer linguagem que não tenha suporte completo no mínimo no Linux, ou em um dos BSDs, e/ou no mínimo três sistemas operacionais, de fornecedores diferentes, é uma linguagem pobre para se aprender a raquear.

    Q: Você me ajudaria a craquear um sistema, ou me ensinar a craquear?

    A: Não. Qualquer um que ainda pode levantar esse tipo de questão depois de ter lido este FAQ é muito estupido para ser educado mesmo se eu tivesse tempo para ensinar. Qualquer pedido desse tipo recebido será ignorado ou será respondido com total ignorância.

    Q: Como eu pego a senha da conta de alguém?

    A: Isto é craquear. Caia fora, idiota.

    Q: Como eu entro/leio/invado/monitoro a conta de email de alguém?

    A: Isto é craquear. Saia daqui, retardado.

    Q: Como eu posso roubar privilégios de um op em algum canal no IRC?

    A: Isto é craquear. Fuja daqui, cretino.

    Q: Eu fui craqueado. Você poderia me ajudar a evitar ataques futuros?

    A: Não. Sempre que me é feita essa pergunta é de algum pobre coitado rodando o Microsoft Windows. Não é possível garantir segurança efetiva contra ataques de craqueres em sistemas Windows; o código e a arquitetura simplesmente possuem muitas falhas, o que torna a segurança no Windows algo como tentar remar um barco com uma peneira. A única prevenção segura é migrar para o Linux ou qualquer outro sistema operacional que foi projetado para no mínimo ser passível de segurança.

    Q: Eu estou tendo problema com o meu software Windows. Você vai me ajudar?

    A: Sim. Vá para um prompt do DOS e digite "format c:". Qualquer problema que você esteja experimentando irá acabar em alguns minutos.

    Q: Onde eu posso encontrar ráqueres de verdade para conversar?

    A: A melhor forma é encontrar um grupo de usuários do linux ou Unix perto de você e ir para seus encontros (você pode achar links para diversas listas de grupos de usuários na página do LDP (Linux Documentation Project - Projeto de Documentação do Linux), no ibiblio.

    (Eu costumava dizer que você não encontraria nenhum ráquer de verdade no IRC, mas eu estou começando a entender que isso está mudando. Aparentemente algumas comunidades de ráqueres verdadeiros, ligados a coisas como GIMP e Perl, possuem canais no IRC agora)

    Q: Você pode me recomendar livros úteis sobre assuntos relacionados a raqueação?

    A: Eu mantenho um COMOFAZER Lista de Leitura para Linux (Linux Reading List HOWTO) que você pode achar interessante. O Loginataka também pode ser útil.

    Para uma introdução ao Python, dê uma olhada nos materiais introdutórios (inglês) no site do Python.

    Q: Eu preciso ser bom em matemática para me tornar um ráquer?

    A: Não. O raquear utiliza quase nenhuma matemática formal ou aritmética. Em particular você não vai precisar de trigonometria, cálculo ou análise (existem exceções no tratamento de aplicativos de áreas específicas, como computação gráfica). Conhecer alguma lógica formal e álgebra Booleana é bom. Alguma base em matemática infinita (incluindo teoria finita, combinatória e teoria de gráficos) pode ser útil.

    Muito mais importante: você precisa ser capaz de pensar logicamente e seguir cadeias exatas de raciocínio exatamente como os matemáticos fazem. Enquanto o conteúdo da matemática não vai ajudá-lo, você vai precisar da disciplina e inteligência utilizada por ela. Se te falta inteligência, existe pouca esperança para você como um ráquer; se te falta disciplina é melhor desenvolvê-la rapidamente.

    Eu acho que uma boa forma de descobrir se você tem o que é necessário é conseguir uma cópia do livro de Raymond Smullyan O que é o nome desse Livro? (What Is The Name Of This Book?). Os divertidos jogos de advinhações lógicas de Smullyans encaixam-se muito bem no espírito ráquer. Ser capaz de resolvê-los é um bom sinal; apreciar a resolução dos mesmo é um sinal melhor ainda.

    Q: Qual a linguagem que eu devo aprender primeiro?

    A: XHTML (o mais recente dialeto HTML) se você já não o conhece. Existem muitos livros ilustres, péssimos super-intensivos sobre HTML por aí, e, amargantemente, poucos livros bons. O que eu mais gosto é o HTML: The Definitive Guide.

    Mas HTML não é uma linguagem de programção completa. Quando você estiver pronto para começar a programar eu recomendo Python. Você vai ouvir um monte de pessoas recomendando Perl, e Perl ainda é mais popular do que Python, mas é mais difícil de aprender e (na minha opinião) menos bem projetada.

    C é muito importante, mas é muito mais difícil que Python ou Perl. Não tente aprender ela primeiro.

    Usuários do Windows, não tentem Visual Basic. Irá ensiná-los maus hábitos e não é nada portável fora do Windows. Evite.

    Q: Que tipo de hardware eu preciso?

    A: Era comum computadores pessoais serem pouco poderosos e de baixa-memória, a tal ponto que era possível deixar limites artificiais no processo de aprendizado de um ráquer. Isso deixou de ser verdade a algum tempo. Qualquer máquina da Intel 486DX50 ou melhor é mais do que poderosa para desenvolver trabalhos, X e comunicação com a Internet; e os menores discos que você pode comprar hoje são mais do que suficientes.

    O ponto importante na escolha da máquina na qual você irá aprender é o fato de seu hardware ser compatível com o Linux (ou compatível com BSD, se você escolher esse caminho). Novamente isso já é garantido para a maioria das máquinas modernas. O grande problema estão nos modems; algumas máquinas possuem modems específicos para Windows que não irão funcionar com o Linux.

    Existe um FAQ para compatibilidade de hardware; a versão mais recente se encontra aqui.

    Q: Eu quero contribuir. Você me ajuda a encontrar um problema para trabalhar?

    A: Não por que eu desconheço seus talentos e interesses. Você deve possuir auto motivação ou não haverá acordo, e por isso o porque de sempre dar errado quando outras pessoas tentam escolher o seu caminho.

    Tente o seguinte. Dê uma olhada nos anúncios de projetos no Carnefresca (Freshmeat)por alguns dias. Quando você olhar algo que lhe faça pensar 'Boa! Eu adoraria trabalhar nisso!', participe.

    Q: Eu preciso odiar e xingar a Microsoft?

    A: Não, você não precisa. Não que a Microsoft não seja escrota, mas já existia uma cultura ráquer antes da Microsft e ainda irá existir uma muito depois da Microsoft virar história. Qualquer energia que você desperdiçar odiando a Microsoft seria melhor desperdiçada no amor a suas habilidades. Escreva bons códigos -- isso irá envergonhar a Microsoft o suficiente sem poluir o seu karma.

    Q: Mas software código-livre não vai deixar programadores sem meios de se sustentar?

    A: Isto não parece acontecer -- até hoje a industria de software código-livre parece estar gerando mais empregos do que acabando com eles. Se ter um programa escrito é um ganho de economia na rede sobre o fato de não ter um programador irá ser pago por um programa depois de pronto mesmo este sendo ou não código-livre. E, não importa o quão "livre" os programas são escritos, sempre irá existir demanda para novas e customizadas aplicações. Eu escrevi mais sobre isso na página da Código-Livre (Open Source).

    Q: Como eu posso começar? Onde eu consigo um Unix livre?

    A: Se você está procurando o seu primeiro projeto não me pergunte por um. Ao invés dê uma olhada nos anuncios de versões e projetos no Freshmeat até encontrar um que lhe agrade e junte-se a eles.

    Se você nem mesmo instalou o Unix na sua máquina em outros lugares nesta página eu inseri ponteiros nos quais você pode pegar o mais famoso e utilizado Unix livre. Para ser um ráquer você precisa de motivação, iniciativa e a habilidade de educar você mesmo. Comece exatamente agora...


    10. Notas de Tradução

    10.1. Informações Gerais

    Este documento é a tradução em português do original How To Become A Hacker (Como Se Tornar Um Ráquer) escrito por Eric S. Raymond.

    (This is the portuguese translation of the original document How To Become A Hacker originally written by Eric S. Raymond, following all the author recommendations and acceptances for translations of his documents).

    O documento original, e todo os seus direitos, pertencem ao autor; a tradução foi construída por:

    João Victor Duarte Martins, JVDM's Web Home,

    Com a ajuda nos parágrafos a respeito da Conexão Nerd/Ráquer de:

    Luis Paulo Barros Pinheiro, .

    Caso você tenha alguma sugestão, encorajamento, reclamação sobre a tradução em sí, e não do tema aqui tratado, por favor encaminhem todas estas para o tradutor.

    Ainda algumas palavras podem não contentar alguns leitores. Se for o caso, por favor, emcaminhem reclamações e sugestões sobre a linguagem, semâtica e coesão para o tradutor.

    E claro, eventualmente pode ocorrer perguntas sobre o tema aqui discutido. Por favor, se for o caso, encaminhe suas mensagens para o autor deste documento.

    O tradução deste documento possui diversas notas que dizem respeito a termos, opiniões divergentes e temas relevantes. É importante a leitura destas para uma completa compreenção da tradução deste HOWTO.


    10.2. Por que esta tradução?

    O intuito mor deste documento é difundir os preceitos e conceitos da cultura ráquer original, assim como satisfazer o interesse de qualquer um que gostaria de entender ou participar da mesma. Como hoje o termo ráquer difundiu-se de forma errônea por entre muitos é muito importante que o teor deste documento demonstre que a cultura ráquer original não convém com as atitudes de piratas, ladrões, espiões ou jovens interessados em falhas de segurança de sitemas fechados e linhas telefônicas ou interesse em tornar-se "super-mestres-mágicos" de computadores. E é o que ele brilhantemente faz.

    Portanto a tradução para o Português torna-se essêncial para a difusão do conceito de cultura e atitude ráquer. Particularmente o Brasil, país no qual a tradução se aplica mais diretamente, possui um baixo nível de esclarecimento geral acerca de temas e fatos muito particulares. A história da Internet, e da participação de ráqueres e sua cultura na mesma, é um exemplo aplicável de tema particular e que obviamente não é esclarecido de forma correta. Isso torna o tema sucetível à manipulação, tanto por parte de interesses de qualquer âmbito quanto pelo falar do senso comum.

    Esse é o intuito primeiro da tradução para o português do How To Become A Hacker: difusão de conceitos reais sobre os fatos, e desconfiança no senso comum.

    Notes

    [1]

    O arquivo dos jargões é um dos primeiros documentos relacionados a cultura ráquer; ele trata dos jargões e dos termos utilizados na cultura, assim como aspectos de comportamento e folclore. É uma ótima fonte de referência. A versão original do Jargon File nasceu no MIT nos meados dos 70. A atual versão é editada pelo autor desde documento e se encontra no link referenciado.

    [2]

    A tradução encontra-se em http://jvdm.freeshell.org/pt/raquer-howto/.

    [3]

    Para muitos leitores a palavra ráquer pode parecer estranha para se referir a palavra original hacker. Mas apesar de o hábito comum, quando se trata de traduções de termos extrangeiros, ser a simples importação (tanto fonética quanto sintática) dessas palavras, eu, como tradutor, assumi a postura de 'aportuguesamento' do termo.

    A razão é simples: se um conceito é definido em uma língua extrangeira (e claro, se utiliza uma palavra nessa língua para fazer referência a ele) e esse mesmo conceito não existe no português qual seria a melhor palavra para fazer referência a esse novo conceito? Teoricamente qualquer nova palavra seria apropriada já que o conceito nem mesmo existe. Importar a palavra extrangeira pura e simplesmente, na minha opinião, é uma atitude que ao invés de enriquecer o português (aumentando o número de conceitos do contexto sensível e abstrato que a língua é capaz de fazer referência) o empobrece, tornando-o menos característico e mais uma cópia de uma outra língua. O Inglês, por simplesmente fazer referência a uma conceito que o português não faz já se faz mais rico nesse aspecto. Portanto tomei como decisão, para evitar o 'inglesamento' do português, aportuguesar a palavra hacker para ráquer.

    Para muitos provavelmente essa não é a melhor forma de criar uma palavra para fazer referência ao conceito que, até onde conheço, não existe no português, mas foi a mais plausível na minha opinião. Se o leitor tiver sugestões mais criativas e mais práticas, por favor sinta-se a vontade para entrar em contato com o tradutor com críticas e sugestõe. Uma discussao a respeito foi travada na lista de traducao do LDP-BR.

    [4]

    De uma nota no código-fonte desse documento:

    This is my poeticization of a remark by Fred Rutherford, boomboom@bmi.net, that he said was based on earlier versions of this document and martial-arts sources like the "Budoshoshinshu" and the "Hagakure" which Fred thinks this FAQ resembles in some respects.

    [5]

    A palavra original em inglês hacking é o substantivo utilizado pelo autor para se referir ao ato de 'ráquear' -- agir como um ráquer ou 'fazer coisas que os ráqueres fazem' de acordo com as habilidades e atitudes de um ráquer. Como a palavra hacker está sendo aportuguesado, achei justo o uso de um termo "aportuguesado" do substantivo hacking, assim como foi dito na nota [3].

    [6]

    A palavra newbie utilizada pelo autor refere-se ao "inexperiente em" ou "recém chegado a" algum assunto, atividade, ou tema técnico/teórico; palavra geralmente muito usada para designar atitudes pertinentes ao erro, mas que com um esclarecimento posterior servem de caminho para alcançar um nível de conhecimento/habilidade suficiente. Apesar de algumas referências, não é aconselhado o uso do conceito "incapacitado", ou ainda "aquele que se esforça em mostrar e aparentar ser algo mas não satisfaz os pré-requisitos para tal" (o termo lammer ou poser satisfaz melhor essa insinuação).

    [7]

    Do termo original Under the Hood (Jargon File para mais informações): visualizar a implementação daquilo que se encontra sobre alguma interface, ou as escondidas; aquilo que não está óbvio o suficiente e deve ser necessário investigação para perceber/olhar/observar.

    [8]

    O termo marcação diz respeito a marcação semâtica e estrutural de textos para futura edição gráfica; um costume lógico em dedicar ao escritor apenas a estruturação semâtica do texto que ele escreve, deixando para outras tecnologias e até pessoas o intuito de trabalhar na sua aparência ou apresentação.

    É essa a lógica que é quebrada com a edição WYSIWYG, deixando tanto a preocupação efêmera da aparência comprometer a estrutura lógica e semâtica de um texto.

    [9]

    Do original hackerdom. Isso é, a cultura ráquer como um todo (como na palavra kingdom, fazendo referência a reino, ou 'território do rei' -- king). "A Cultura Ráquer" seria um termo bem equivalente, mas achei mais sugestivo e leal deixar o termo original aportuguesado, já que nem mesmo a palavra ráquer é um termo em português típico.

    [10]

    Por favor, um ponto deve ser levantado aqui rapidamente. É claro, e óbvio, que as artes aqui citadas, principalmente o Jiu Jitsu, são aquelas que tem similaridade e são praticadas na forma como originalmente foram criadas nas suas culturas de origem. Principalmente no Brasil, essas artes são deturpadas por sub-culturas comerciais, ou pequenas "lojas de cultura oriental". No caso do Jiu Jitsu, é óbvio que a forma como a arte é praticada no Brasil não tem nada de correpondente com o interesse do autor.

    [11]

    Chatos geralmente banidos em grupos de discussão.